‘Verão’ (Leto): filme de Serebrennikov aborda a cena do rock underground soviético na década de 80 e faz a gente virar fã
Cinebiografia 16 de novembro de 2018 Aline T.K.M. 2 comentários
Início dos anos 1980. Influenciada por nomes como David Bowie e Led Zeppelin, uma nova geração de artistas nascia na União Soviética, mais especificamente em Leningrado (atual São Petersburgo). Ali, nos anos pré-Perestroika, a cena underground é agitada pelo rock de um tal Viktor Tsoi. Pouco depois, o cantor e compositor viria a fazer parte da banda Kino, tornando-se uma lenda do rock e a banda, uma das mais relevantes da música soviético-russa.
Enquanto ganha cada vez mais destaque nas apresentações no clube de rock de Leningrado, o jovem Tsoi se envolve com Natasha, esposa de Mike, seu mentor musical.
Enquanto ganha cada vez mais destaque nas apresentações no clube de rock de Leningrado, o jovem Tsoi se envolve com Natasha, esposa de Mike, seu mentor musical.
Aclamada em Cannes, a cinebiografia Verão (em russo, Leto) rememora fatos da trajetória de Viktor Tsoi e sua relação com o também roqueiro Mike Naumenko, fundador da banda Zoopark. A direção é de Kirill Serebrennikov; o diretor foi colocado em prisão domiciliar no meio da produção por conta da acusação de desvio de recursos destinados a seu teatro, e acabou finalizando o filme sozinho, em casa.
Repleto de música e frescor, Verão homenageia o rock underground soviético e retrata com graça uma juventude marcada pela repressão. Aqui no Brasil, o filme foi exibido na 42ª Mostra Internacional de Cinema – um dos melhores a que assisti – e no Festival do Rio, e estreou esta semana nos cinemas.
Repleto de música e frescor, Verão homenageia o rock underground soviético e retrata com graça uma juventude marcada pela repressão. Aqui no Brasil, o filme foi exibido na 42ª Mostra Internacional de Cinema – um dos melhores a que assisti – e no Festival do Rio, e estreou esta semana nos cinemas.
A atmosfera é deliciosa desde o início, o que já nos dá uma pista de como a narrativa será conduzida. Mesmo em tempos difíceis, optar pela leveza e diversão, muito mais que encher o longa de pormenores da situação política do país, foi uma escolha bem acertada.
Também acertada foi a maneira de contar o triângulo amoroso entre Tsoi, Natasha e Mike, que esbarra numa esfera mais emocional sem carregar no drama, e faz com que nos aproximemos dos protagonistas em um nível mais íntimo. A admiração e atração que Viktor exerce sobre Natasha também ajudam a construir a aura em torno do protagonista, que alcança o sucesso num contexto em que curtir rock americano significa apoiar “o inimigo”.
Também acertada foi a maneira de contar o triângulo amoroso entre Tsoi, Natasha e Mike, que esbarra numa esfera mais emocional sem carregar no drama, e faz com que nos aproximemos dos protagonistas em um nível mais íntimo. A admiração e atração que Viktor exerce sobre Natasha também ajudam a construir a aura em torno do protagonista, que alcança o sucesso num contexto em que curtir rock americano significa apoiar “o inimigo”.
O charme dessa história também fica por conta do preto e branco, ganhando pinceladas mais nostálgicas nas inserções em cores acompanhadas de escritos e rabiscos em forma de animação. Aliás, toda a linguagem visual carrega consigo o mood rock’n’roll e faz a gente se apaixonar ainda mais pelo filme.
Só que o verdadeiro destaque vai para os números musicais. Na trilha, composições da própria banda Kino são intercaladas a faixas icônicas do rock – Talking Heads, Iggy Pop, David Bowie, Lou Reed –, que aparecem incorporadas à trama tal qual videoclipes.
Tudo parece flutuar nesses momentos musicais; elementos urbanos ganham vida e as situações adquirem uma gostosa atmosfera de brincadeira, uma espécie de fuga da realidade. Uma fuga restrita à mente dos mais sonhadores, pois, conforme nos informa um jovem e espirituoso personagem no fim de cada musical, nada daquilo aconteceu.
As versões originais das músicas que compõem a trilha sonora de Verão estão reunidas em uma playlist no Spotify, acesse aqui para conferir.
Tudo parece flutuar nesses momentos musicais; elementos urbanos ganham vida e as situações adquirem uma gostosa atmosfera de brincadeira, uma espécie de fuga da realidade. Uma fuga restrita à mente dos mais sonhadores, pois, conforme nos informa um jovem e espirituoso personagem no fim de cada musical, nada daquilo aconteceu.
As versões originais das músicas que compõem a trilha sonora de Verão estão reunidas em uma playlist no Spotify, acesse aqui para conferir.
Verão tem cara daquelas histórias épicas que só acontecem quando se é jovem; histórias sobre algumas pessoas, sobre um lugar, sobre uma época. Um filme que traz uma boa vibe, que transporta o espectador para dentro da trama, e tudo isso com um equilíbrio bacana entre o drama (do período e da relação complicada que se desenvolve entre os personagens) e a vivacidade (da juventude, do rock).
Sou suspeita para falar – tenho uma queda por tudo o que tem musical no meio –, mas ouso dizer que Verão é um filme do qual a gente não se esquece assim tão facilmente. Um filme para curtir a atmosfera, se deleitar com o visual, e se deixar embalar pela trilha sonora. Um filme para virar fã.
Sou suspeita para falar – tenho uma queda por tudo o que tem musical no meio –, mas ouso dizer que Verão é um filme do qual a gente não se esquece assim tão facilmente. Um filme para curtir a atmosfera, se deleitar com o visual, e se deixar embalar pela trilha sonora. Um filme para virar fã.
TRAILER E FICHA TÉCNICA
Verão (Leto) – 126 min.
Rússia – 2018
Direção: Kirill Serebrennikov
Roteiro: Mikhail Idov, Lili Idova, e Kirill Serebrennikov
Elenco: Teo Yoo, Roman Bilyk, Irina Starshenbaum, Aleksandr Gorchilin, Filipp Avdeev, Yuliya Aug, Nikita Yefremov, Anton Adasinsky
Estreia: 15 de novembro
Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 12 anos e se dedicar a este projeto é uma das coisas que mais ama fazer, além de estar em contato com os mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por cinema, viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!
2 comentários
Interessante a sua crítica. O filme é mesmo sensacional, acho que o clima é atmosfera que passa pode ser resumido com as duas ou três últimas canções. Aquela sensação de não saber bem o que tá fazendo nem pra onde deve ir.
ResponderExcluirEsse filme me ganhou completamente! =) Com certeza as últimas músicas dão essa sensação. Mas também gosto do clima da música que dá título ao filme, mais relax e com uma pegada gostosinha.
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